O município de São Francisco de Itabapoana teve redução no número de habitantes de 2016 para 2017, segundo estimativa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Enquanto em 2016 a população estimada era de 41.240 habitantes; no ano de 2017 caiu para 41.191, uma redução de 0,12%.
Segundo Alan Aziz, diretor do escritório do IBGE em campos dos Goytacazes, o Instituto usa como base o último censo demográfico de 2010, e, a partir dele, atualiza anualmente a população estimada, levando em conta o número de nascidos vivos e o número de óbitos registrado no cartório local. A população estimada não leva em consideração nuances como: crianças que moram no município, mas nasceram em outras cidades; o êxodo rural; a migração ou o retorno de pessoas para o município, entre outras situações.
O êxodo, sobretudo a saída de moradores de São Francisco de Itabapoana em busca de emprego em cidades como Macaé e Rio das Ostras, fez com que o número de habitantes despencasse nos últimos anos. Em 2007, ano em que teve contagem da população, São Francisco de Itabapoana tinha 44.549 habitantes. Em 2010 foram 41.354 habitantes. Entretanto, com a crise financeira, muitas famílias voltaram para o município, e a expectativa é que, no próximo Censo, em 2020, São Francisco de Itabapoana possa ter um crescimento no número de habitantes.
Além do regresso de algumas famílias ao município, outro fator poderá contribuir para o aumento populacional nos próximos anos. São Francisco está situado entre dois importantes empreendimentos, que são o Porto do Açu, em São João da Barra e o futuro Porto Central, em Presidente Kennedy. A explicação é simples. A estimativa é que sejam gerados, somente para São Francisco de Itabapoana, 1500 empregos no pico da obra do Porto Central, sem falar nas oportunidades que surgirão com o término da Ponte da Integração, considerada para muitos uma porta de entrada do município para o Porto do Açu. “É natural que haja aumento da população em locais que surjam novos postos de trabalho, pois a população migra para onde há empregos”, analisa Alan.
São João da Barra e Campos
Enquanto São Francisco de Itabapoana está entre os municípios que tiveram redução populacional, São João da Barra e Campos dos Goytacazes, também no Norte Fluminense, tiveram aumento da população, porém numa porcentagem pequena. Esse é o quadro da maioria dos municípios brasileiros. Em mais da metade (53,6% ou 2.986), as taxas de crescimento populacional foram inferiores a 1%, e em 258 municípios (4,6% do total) o crescimento foi igual ou superior a 2%. Quase um quarto dos 5.570 municípios brasileiros (24,7% ou 1.378) apresentaram redução populacional.
São João da Barra tinha em 2016 a população estimada em 34.884 habitantes; enquanto em 2017 está com uma estimativa de 35.174, ou seja, 0,83 % de aumento. Campos cresceu 0,64%, subindo de 487.186 em 2017 para 490.288 habitantes em 2017.
Brasil tem população estimada em 207,7 milhões de habitantes
A divulgação dos dados da população estimada dos 5.570 munícios brasileiros pelo IBGE ocorreu na manhã desta quarta-feira, 30, no Rio de Janeiro, e tem como data de referência 1º de julho de 2017. O estudo estima que o Brasil tenha 207,7 milhões de habitantes e uma taxa de crescimento populacional de 0,77% entre 2016 e 2017, um pouco menor do que a de 2015/2016 (0,80%).
O grupo de municípios com até 20 mil habitantes apresentou a maior proporção dos que tiveram redução populacional (32,5% ou 1.236 cidades). Por outro lado, os com mais de 100 mil a um milhão de habitantes tiveram a maior proporção de municípios com crescimento acima de 1% (45,5% ou 133). Dez dos 17 municípios com mais de um milhão de habitantes acusaram taxas de crescimento entre 0,5% e 1% ao ano.
Nas regiões Norte e o Centro-Oeste estão as maiores proporções de cidades com taxas de crescimento acima de 1%. A Região Sul mostrou a maior proporção de municípios com taxas negativas.
Mais da metade da população vive em apenas 5,6% dos municípios
Em 2017, pouco mais da metade da população brasileira (56,5% ou 117,2 milhões de habitantes) vive em apenas 5,6% dos municípios (310). Estes têm mais de 100 mil habitantes. As cidades com mais de 500 mil habitantes (42) concentram 30,2% da população do país (62,6 milhões de habitantes).
A pesquisa revela, ainda, que a maior parte dos municípios brasileiros (68,3%) possui até 20 mil habitantes e abriga apenas 15,5% da população do país (32,2 milhões de habitantes).
O município de São Paulo continua sendo o mais populoso do país, com 12,1 milhões de habitantes, seguido pelo Rio de Janeiro (6,5 milhões de habitantes), Brasília e Salvador (cerca de 3 milhões de habitantes cada).
Dezessete cidades têm população superior a 1 milhão de pessoas, somando 45,5 milhões de habitantes ou 21,9% da população do Brasil. Serra da Saudade (MG) é o município de menor população, 812 habitantes, seguido de Borá (SP), com 839, e Araguainha (MT), com 931, os únicos no país com menos de mil habitantes em julho deste ano.
As estimativas populacionais municipais são um dos parâmetros utilizados pelo Tribunal de Contas da União no cálculo do Fundo de Participação dos Estados e Municípios e são referência para vários indicadores sociais, econômicos e demográficos.
Tendência
De acordo com a gerente da pesquisa, Isabel Marri, a diminuição da taxa populacional nos municípios é uma tendência que vem ocorrendo nos últimos anos e decorre da redução da fecundidade e da migração.
“A maioria dos municípios, 68%, tem até 20 mil habitantes, Esses municípios menores tendem a perder população para os com maior dinamismo econômico. Por isso temos poucas cidades com muitos habitantes e muitas cidades com poucos habitantes”, disse ela.
Embora os fluxos migratórios tenham perdido força, destacou ela, os municípios ao redor dos grandes centros têm aumentado seu contingente populacional. “Os grandes centros já têm um custo elevado para se viver, mas como neles estão os empregos, a população começa a se concentrar nas cidades próximas aos municípios maiores”.
Fonte: Redação do VNOTÍCIA com informações do IBGE e da Agência Brasil