Na manhã deste sábado, 31 de janeiro de 2026, o Instituto BW para Conservação e Medicina da Fauna Marinha (IBW) realizou a soltura de duas tartarugas marinhas da espécie Chelonia mydas, conhecida popularmente como tartaruga-verde, na Praia de Lagoa Doce, em São Francisco de Itabapoana/RJ. O evento contou com o apoio da Guarda Ambiental Municipal (GAM) e reforça a importância da conservação da fauna marinha e da proteção dos ecossistemas costeiros.
A atividade integra as ações do Projeto de Monitoramento de Praias das Bacias de Campos e do Espírito Santo (PMP-BC/ES), executadas pelo Instituto BW. A realização do PMP-BC/ES é uma exigência do licenciamento ambiental federal, conduzido pelo IBAMA.
As duas tartarugas marinhas foram encontradas durante o monitoramento diário, realizado pela equipe do Instituto BW, e, imediatamente encaminhadas ao Centro de Reabilitação e Despetrolização do (CRD) Norte Fluminense do IBW, localizado no município de São Francisco de Itabapoana/RJ.
O primeiro animal apresentava sinais clínicos compatíveis com emalhamento em rede de pesca fantasma, além de lesão na região da cabeça, sugerindo possível atropelamento por embarcação. Durante os exames iniciais de radiografia, a equipe técnica identificou pequena quantidade de resíduos plásticos no trato intestinal e fraturas nos ossos da face. Com a evolução do tratamento, o animal voltou a se alimentar de forma independente e eliminou completamente os resíduos sólidos ingeridos.
A segunda tartaruga chegou ao CRD Norte Fluminense com baixo escore corporal e desidratação. Os exames descartaram ingestão de plástico e pneumonia, porém o exame de sangue indicou anemia profunda associada à infestação por parasitas, o que resultou em enfraquecimento e dificultou a alimentação. Com o tratamento adequado, o animal retomou o apetite e a anemia foi revertida.
Durante todo o período de reabilitação, a equipe do CRD Norte Fluminense manteve acompanhamento contínuo e intensivo, com aplicação de protocolos clínicos e de manejo específicos para a espécie. Ambas as tartarugas responderam positivamente ao tratamento, possibilitando sua reintrodução ao ambiente natural.
Os casos evidenciam os impactos das ações humanas sobre a fauna marinha, especialmente o descarte incorreto de resíduos sólidos e a perda de petrechos de pesca no oceano, que representam riscos diretos à vida dos animais. A situação reforça a importância de práticas ambientalmente responsáveis, da correta destinação do lixo e do engajamento coletivo na conservação dos ecossistemas costeiros e marinhos. A tartaruga-verde é frequentemente registrada ao longo do litoral do Estado do Rio de Janeiro, sobretudo em áreas costeiras com águas rasas e ricas em algas, que funcionam como importantes zonas de alimentação e desenvolvimento da espécie.
“A conservação acontece quando somamos esforços — e a troca constante com os pescadores tem sido fundamental para ampliar a informação e proteger a fauna marinha”, comentou a Dra. Paula Baldassin, coordenadora de Medicina Veterinária e vicepresidente do Instituto BW.
Caso encontre pinguins e outras aves marinhas, tartarugas marinhas e mamíferos marinhos na faixa de areia, mortos ou debilitados, não os devolva para a água. Acione imediatamente o 0800 991 4800 e aguarde o resgate.
A organização não governamental “Instituto BW para a Conservação e Medicina da Fauna Marinha” (IBW) foi criada em janeiro de 2020 e atua no atendimento a demandas de reabilitação de animais selvagens e Educação Ambiental na Região dos Lagos e no Norte Fluminense, no Estado do Rio de Janeiro. O IBW tem por objetivo incentivar, promover, desenvolver e apoiar ações de pesquisa, Educação Ambiental, medicina veterinária e conservação ambiental.
