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Polícia

Médico anestesista é preso por estupro de grávida durante parto na Baixada Fluminense

11/07/2022 às 11h52 | Atualizado: 11/07/2022 às 11h54

 

O médico anestesista Giovanni Quintella Bezerra foi preso em flagrante, na madrugada desta segunda-feira (11), por estuprar uma grávida durante um parto cesariana no Hospital da Mulher em Vilar dos Teles, em São João Meriti, município na Baixada Fluminense.



A prisão ocorreu após enfermeiras e técnicas de enfermagem da unidade gravarem um vídeo do médico colocando o pênis na boca da paciente, que estava anestesiada durante a realização do parto.



No registro, a gestante estava deitada na maca, inconsciente, onde do lado esquerdo do lençol, a equipe médica iniciava a cirurgia, enquanto do outro lado Giovanni abria o zíper da calça, puxava o pênis para fora e o introduzia na boca da vítima.



Ao terminar o ato de violência o anestesista pegou um lençol e limpou a boca da gestante. A ação durou cerca de 10 minutos. O vídeo serviu como prova e foi encaminhado à Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de São João de Meriti, na Baixada Fluminense.

 

A delegada da distrital, Bárbara Lomba, relata que pelas imagens do vídeo foi possível ver nitidamente o estupro cometido pelo médico.



“Nós fomos acionados por conta de um vídeo registrado dentro do hospital que se documentava e via nitidiamente um estupro cometido por um funcionário da unidade contra uma paciente, mas nós não tínhamos a ideia ainda de quão violento foi essa ação, quando vimos o vídeo que tivemos a ideia real da violência, porque o crime era cometido por um médico contra uma paciente que estava anestesiada e sedada dento do centro cirúrgico”, comentou.

 

Gravação

 

O DIA teve acesso as imagens chocantes do caso que mostram o momento da cirurgia, em que um pano impede que outros profissionais vejam o anestesista manuseando a cabeça da vítima para frente e para trás após introduzir o pênis na boca da gestante. Em certos momentos ele olha ao redor para verificar que ninguém está olhando e continua o ato, até finalizar e limpar a paciente com um pano para esconder os vestígios do crime. Depois ele joga os papeis no lixo e age naturalmente.

 

De acordo com a delegada, ainda no hospital foi realizada uma entrevista com as testemunhas que produziram o vídeo para entender como as imagens foram gravadas. Nos depoimentos, elas informaram que o registro foi gravado do celular de um dos integrantes da equipe de enfermagem que estava de plantão neste domingo (10). Eles posicionaram o celular dentro de um armário no centro cirúrgico que tinha uma porta de vidro escura e estava de frente para o suspeito e assim conseguiram gravar toda a ação.



“As imagens não deixam dúvida do crime que foi praticado. Essa equipe de enfermagem vinha suspeitando dos procedimentos que o médico adotava no centro cirúrgico em cirurgias anteriores, especialmente em relação a sedação desnecessária”, explicou Bárbara Lomba.

 

Ainda segundo as testemunhas, as suspeitas foram aumentando devido ao excesso de sedação e a tentativa do anestesista de dificultar a visão dos outros médicos e de outras pessoas no centro cirúrgico de parte do corpo da vítima, especificamente do rosto, que era de onde ele atuava. Além disso, a equipe observou que ele costumava usar um jaleco muito grande, cumprido, o que não é muito comum.



As suspeitas haviam iniciado há mais de um mês. Neste domingo (10), Giovani atuou em três cirurgias, mas as imagens foram gravadas apenas na terceira, quando a equipe que já estava desconfiada decidiu tentar filmar o que acontecia na sala de cirugia.

 

A delegada contou ainda que estão sendo levantadas quantas cirurgias foram feitas com a participação do anestesista e quais os procedimentos adotados. Ela informou que o hospital vai fornecer esses dados e com base nessas informações irá tentar identificar as pacientes que tiveram com o suspeito durante outras cirurgias. Dependendo das informações, Giovanni poderá responder por outros crimes.



“Ele trabalhou e trabalha em outras unidades mas não houve relato da mesma atuação em outro hospital, mas temos praticamente certeza que houveram outras vítimas no Hospital da Mulher de São João de Meriti, mas não descartamos que ele tenha atuado da mesma forma em outras unidades”, disse a delegada.

 

O anestesista Giovanni Quintella Bezerra nada falou enquanto era conduzido a delegacia. Durante depoimento, acompanhado de um advogado, também preferiu não prestar declarações.



Ainda segundo a delegada, a vítima não prestou depoimento devido ao recente procedimento cirúrgico e também não foi comunicada sobre o caso até a manhã desta segunda-feira (11) para preservação de sua saúde. No entanto, o marido da vítima já está ciente do ocorrido.



Já foram ouvidos três integrantes da equipe de enfermagem e um médico responsável pela equipe de anestesista do hospital.



“A gravidade do caso vai muito além da vulnerabilidade da vítima porque o crime partiu de um profissional que deveria estar protegendo a vítima e que a vítima depositava toda sua confiança, esse profissional responde e fica monitorando as condições de saúde e sinais vitais da paciente, ele deveria estar preocupado em proteger e resguardar a integridade da vítima e não em violar e violentar essa paciente”



Ele foi preso em flagrante por estupro de vulnerável e ainda nesta segunda (11) será transferido para o sistema prisional e em seguida para audiência de custódia. A pena de Giovani pode ser entre 8 a 15 anos de reclusão.

 

Procurada, a Fundação Saúde do Estado do Rio de Janeiro e a Secretaria de Estado de Saúde relataram que repudiam veementemente a conduta do médico anestesista Giovanni Quintella Bezerra e estão à disposição da polícia, colaborando com a investigação.



Além disso, informaram ainda que será aberta uma sindicância interna para tomar as medidas administrativas, além de notificação ao Cremerj. A equipe do Hospital da Mulher está prestando todo apoio à vítima e à sua família.



Em nota, complementaram que esse comportamento, além de merecer repúdio, constitui-se em crime, que deve ser punido de acordo com a legislação em vigor.

 

Fonte: O DIA

 

 

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