Em uma movimentação política estratégica, Cláudio Castro (PL) renunciou ao cargo de governador do Rio de Janeiro nesta segunda-feira (23). O anúncio oficial ocorreu no Palácio Guanabara, apenas um dia antes de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) retomar o julgamento do Caso Ceperj que pode resultar na cassação de seu mandato e em sua inelegibilidade por oito anos.
Quem assume o governo?
O presidente do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), desembargador Ricardo Couto de Castro, assume o governo temporariamente.
Com a renúncia de Castro, a ausência de um vice-governador (visto que Thiago Pampolha deixou o cargo anteriormente para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado) e o agfastamento do deputado estadual Rodrigo Bacellar da presidência da Alerj, o Rio de Janeiro vive uma situação de vacância total no Executivo.
Conforme a legislação, a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) deverá realizar eleições indiretas em até 30 dias. Os 70 deputados estaduais escolherão quem governará o estado até o fim de 2026.
A Estratégia por trás da Saída
A renúncia antecipada é vista por analistas e aliados como uma tentativa de evitar os efeitos de uma possível condenação. O TSE já possui um placar de 2 a 0 a favor da condenação de Castro por abuso de poder político e econômico no caso envolvendo a Fundação Ceperj e a Uerj.
Ao deixar o cargo antes do veredito, a defesa de Castro pode alegar a perda de objeto da ação no que diz respeito à cassação do mandato. No entanto, o pedido de inelegibilidade feito pelo Ministério Público Eleitoral permanece válido e continuará sendo analisado pelos ministros.
Justificativa Oficial e Planos Futuros
Durante a cerimônia de despedida, Castro adotou um tom de "dever cumprido", destacando avanços na segurança pública e na economia fluminense. Ele confirmou que sua saída visa a disputa de uma vaga no Senado Federal nas eleições de 2026.
"Saio de cabeça erguida e com a maior aprovação da minha gestão. Saio para buscar novos projetos e ser pré-candidato ao Senado", declarou o agora ex-governador.
O Caso Ceperj
O processo que assombra Cláudio Castro refere-se a supostas irregularidades nas eleições de 2022. As investigações apontam para a criação de "folhas de pagamento secretas" e contratações sem concurso público em projetos da Fundação Ceperj e da Uerj, que teriam sido usados para cooptar apoio político e beneficiar a chapa do governador.
O julgamento no TSE está marcado para ser retomado nesta terça-feira (24), com os votos dos cinco ministros restantes. Mesmo fora do cargo, o futuro político de Castro depende agora da decisão da corte em Brasília.